sábado, 8 de setembro de 2018

Cartas a meu Pai - Epílogo





Querido Pai,

Continuei com a vida corrida da Universidade. Lendo e escrevendo muito, mas não para você.

Recentemente, me aposentei. Tenho escrito para as mulheres maturescentes. O que é isso? Ah, são aquelas que saíram da vida reprodutiva, para sua fase mais produtiva. E como é difícil isso, meu Pai. Porque? Parece que elas não querem me ouvir. Mas como sou resiliente ou até uma cabeça dura, continuo. Tenho um blog, páginas no face book e um livro só para elas. Fiz um canal no you tube  onde gravo vídeos para elas. 

Minha audiência é ainda bem pequena, meu Pai.Tudo bem, isso não é uma queixa. É apenas um trabalho que só está começando. E quero, preciso continuar trabalhando. Gosto disso e quero manter minha mente ativa. 

Meu objetivo é empoderar as mulheres de meia idade. Sim, eu acredito nisso. É um trabalho necessário. Não sei se você me entende; em sua época esse tema não era falado e as mulheres não tinham voz nenhuma.

Hoje meu tempo é outro e pouco, acho que porque passa muito depressa. 
Mas, principalmente, meu coração está pleno e já não sinto necessidade de escrever para você, meu Pai. O amor foi  ressignificado, as dores perdoadas e  meu peito está sereno.

Quando minha mãe morreu há três anos, já com quase 94 anos, eu estive perto dela. Eu e meus dois irmãos passamos juntos quinze dias, lá na casa, nos despedindo. Foi uma morte natural, tranquila. E eu cumpri o que tinha me prometido. Fiquei leve com sua partida, com sensação de dever cumprido.

Criei um novo blog e estou publicando essas cartas que estavam, há dez anos,  guardadas  em meu computador. Peço sua permissão, meu Pai. Elas trazem um sentimento de gratidão, realização e também de homenagem, para alguém que amei muito nessa vida. Você.

Tenho orgulho de ser sua filha.

Com muito amor.

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