Querido Pai,
Continuei com a vida corrida
da Universidade. Lendo e escrevendo muito, mas não para você.
Recentemente, me aposentei.
Tenho escrito para as mulheres maturescentes. O que é isso? Ah, são aquelas que
saíram da vida reprodutiva, para sua fase mais produtiva. E como é difícil
isso, meu Pai. Porque? Parece que elas não querem me ouvir. Mas como sou
resiliente ou até uma cabeça dura, continuo. Tenho um blog, páginas no face book e um livro
só para elas. Fiz um canal no you tube onde gravo vídeos para elas.
Minha
audiência é ainda bem pequena, meu Pai.Tudo bem, isso não é uma queixa. É apenas um
trabalho que só está começando. E quero, preciso continuar trabalhando. Gosto
disso e quero manter minha mente ativa.
Meu objetivo é empoderar as
mulheres de meia idade. Sim, eu acredito nisso. É um trabalho
necessário. Não sei se você me entende; em sua época esse tema não era falado e as mulheres não tinham voz nenhuma.
Hoje meu tempo é outro e pouco, acho que porque passa
muito depressa.
Mas, principalmente, meu coração está pleno e já não sinto necessidade de escrever para você, meu Pai. O amor foi ressignificado, as dores perdoadas e meu peito está sereno.
Quando minha mãe morreu há
três anos, já com quase 94 anos, eu estive perto dela. Eu e meus dois irmãos
passamos juntos quinze dias, lá na casa, nos despedindo. Foi uma morte natural,
tranquila. E eu cumpri o que tinha me prometido. Fiquei leve com sua partida,
com sensação de dever cumprido.
Criei um novo blog e estou publicando essas cartas que estavam, há dez anos, guardadas em meu computador. Peço sua permissão, meu Pai. Elas trazem um sentimento de gratidão, realização e também
de homenagem, para alguém que amei muito nessa vida. Você.
Tenho orgulho de ser sua
filha.
Com muito amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário