Me vejo como
uma fruta bastante comum, barata e que temos em abundância no Brasil: a banana.
Não de forma solitária, mas em pencas, dúzias ou no cacho da bananeira,
esperando chegar no ponto, para ser retirada e amadurecer.
A banana é nutritiva
e além do potássio, que evita as câimbras, tem muitas vitaminas e outros
minerais. Quando se está com aquela fome e o almoço vai demorar, a banana é um
bálsamo para o estômago. E quando vem no prato, tem várias formas: farofa de
banana, purê que é uma delicia para acompanhar o peixe, moqueca de banana, que
os vegetarianos amam; assada ou frita, que acompanha qualquer receita. E ainda
pode fazer parte da sobremesa, ou estar presente no café da tarde, como um
delicioso bolo de banana.
A banana
pode ser útil até verde, que quando cozida na panela de pressão e depois
amassada, vira a tal massa de banana verde, que dá até para fazer brigadeiro,
ao invés de usar o leite condensado.
E quantas
espécies dessa fruta existem no Brasil: banana prata, ouro, nanica, da terra e
bananeira de jardim, para enfeitar e não comer. Satisfaz macacos e micos e
também os humanos. É uma fruta que nunca falta em minha casa. Não consigo
admitir que exista alguém nesse mundo que não aprecie uma banana, ao natural,
ou em docinho enrolado no papel, com ou sem açúcar, com ou sem cobertura de
chocolate.
Acho até uma
pretensão de minha parte me descrever como uma banana. Mas eu gosto de mim,
assim como gosto de banana. Nasci numa penca, em uma família grande de origem.
E construí outro cacho, ao colocar cinco filhos neste mundo. Fui professora por
muitos anos; vejo meus alunos como bananas de outro cacho, de várias espécies. Fui
doula, ajudei muitas crianças a nascerem, bananinhas que estão por aí, que já
cresceram e amadureceram.
Adoro colher
um cacho de banana das bananeiras do meu quintal de Alto Paraíso. Corto as
pencas e distribuo entre os filhos e amigos. Isso me dá uma sensação de
abundância, de alegria e de gratidão. Um cacho de banana é tão bonito, tão rico
em nutrientes e em significados.
Tem outro
aspecto da banana que me identifico muito. Sabe aquela expressão “esse cara é
um banana?” Aquela pessoa boba, que não
presta atenção nas coisas, que se deixa enganar ou não toma a iniciativa certa
quando necessário. Quantas vezes em minha vida agi assim; por inocência e boa
fé. Por acreditar que todo mundo tem uma origem digna, como tem uma banana,
nascida do cacho de bananas. E me dei mal, muito mal, por ter sido apenas “uma
banana”.
Mas na maior
parte do tempo, me sinto como uma banana madura, no ponto, gostosa, capaz de
saciar diversos apetites e ainda incrementar um bom prato, para o almoço do
dia.