sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Crônica de um Amor Bonito

 

Crônica de um Amor Bonito

 

A primeira resposta seria entender porque amor bonito. De onde vem isso?  De um texto incrível de Arthur de Távola. Nossa, não me lembrava desse autor, nem sabia que era um brasileiro, nascido em 1936, que foi político, escritor, autor de 23 livros, radialista e jornalista.  Mas quando li sua crônica ”Faça seu Amor Bonito”, fiquei fascinada pelas palavras escritas por ele.

“ Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor”. E a partir dessa primeira frase começa a descrever o amor bonito.

Me identifiquei com as ideias dele. Por mais difíceis que sejam colocá-las em prática, percebi que essa é a forma de amor que preenche e realiza: o amor bonito.

E ao longo da descrição de amor bonito percebo que, difícil mesmo, em um relacionamento amoroso, é se contentar com a atenção recebida. Essa queixa trazemos desde a infância e a criança interna a carrega por toda a vida, projetando nos relacionamentos.

Falo por mim. Eu já trabalhei minha rejeição interna inúmeras vezes. Mesmo assim, essa ferida permanece. E volta e meia, acentua minha necessidade de atenção e reconhecimento, exigindo que eu retorne àquele lugar longínquo, para ressiginificar, mais uma vez, os episódios do passado. Tarefa para a vida toda, não tem jeito. E isso ocorre não apenas nos relacionamentos amorosos, mas também com filhos, família e amigos.

Távola esclarece muito bem esse sentimento nesse parágrafo:  “ Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter”. Bom seria se todas as pessoas amassem bonito!

 E sobre as teorizações do amor? Ele enfatiza: ”não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora”. “ Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe com ele e suas definições”.  “Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor...”

E muito mais. Mas porque estou aqui comentando sobre esse texto do Artur de Távola? Ele me foi enviado por uma pessoa nova em minha vida, um amante, em um momento em que eu teorizava sobre relacionamentos, questionava o que estava vivendo, como se não permitisse aceitar o prazer recebido e reivindicava um tempo que decididamente não estava em nenhuma agenda.

Esse texto fechou lacunas dentro de mim e me fez compreender que viver um amor bonito por si só, já basta. É um desafio e tanto, mas enriquece, transforma e preenche. Traz para a prática o viver aqui e agora, sem passado, sem futuro, reverenciando um presente real e possível.

Esse amante, que me presenteou com esse texto, eu chamo agora de “ meu amor bonito”. Por me trazer a oportunidade de amar sem ter expectativas, de gozar sem esperar por uma próxima vez, de abrir meu coração sem medo de ser julgada. Permite que eu seja o que sou, apenas uma mulher, com inseguranças e limitações, alegrias e tristezas, com amor e tesão, para compartilhar e desfrutar.

 

Brasília, 10 de abril de 2022

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