sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Uma banana: como eu me vejo sendo uma fruta

 


Me vejo como uma fruta bastante comum, barata e que temos em abundância no Brasil: a banana. Não de forma solitária, mas em pencas, dúzias ou no cacho da bananeira, esperando chegar no ponto, para ser retirada e amadurecer.

A banana é nutritiva e além do potássio, que evita as câimbras, tem muitas vitaminas e outros minerais. Quando se está com aquela fome e o almoço vai demorar, a banana é um bálsamo para o estômago. E quando vem no prato, tem várias formas: farofa de banana, purê que é uma delicia para acompanhar o peixe, moqueca de banana, que os vegetarianos amam; assada ou frita, que acompanha qualquer receita. E ainda pode fazer parte da sobremesa, ou estar presente no café da tarde, como um delicioso bolo de banana.

A banana pode ser útil até verde, que quando cozida na panela de pressão e depois amassada, vira a tal massa de banana verde, que dá até para fazer brigadeiro, ao invés de usar o leite condensado.

E quantas espécies dessa fruta existem no Brasil: banana prata, ouro, nanica, da terra e bananeira de jardim, para enfeitar e não comer. Satisfaz macacos e micos e também os humanos. É uma fruta que nunca falta em minha casa. Não consigo admitir que exista alguém nesse mundo que não aprecie uma banana, ao natural, ou em docinho enrolado no papel, com ou sem açúcar, com ou sem cobertura de chocolate.

Acho até uma pretensão de minha parte me descrever como uma banana. Mas eu gosto de mim, assim como gosto de banana. Nasci numa penca, em uma família grande de origem. E construí outro cacho, ao colocar cinco filhos neste mundo. Fui professora por muitos anos; vejo meus alunos como bananas de outro cacho, de várias espécies. Fui doula, ajudei muitas crianças a nascerem, bananinhas que estão por aí, que já cresceram e amadureceram.

Adoro colher um cacho de banana das bananeiras do meu quintal de Alto Paraíso. Corto as pencas e distribuo entre os filhos e amigos. Isso me dá uma sensação de abundância, de alegria e de gratidão. Um cacho de banana é tão bonito, tão rico em nutrientes e em significados. 

Tem outro aspecto da banana que me identifico muito. Sabe aquela expressão “esse cara é um banana?”  Aquela pessoa boba, que não presta atenção nas coisas, que se deixa enganar ou não toma a iniciativa certa quando necessário. Quantas vezes em minha vida agi assim; por inocência e boa fé. Por acreditar que todo mundo tem uma origem digna, como tem uma banana, nascida do cacho de bananas. E me dei mal, muito mal, por ter sido apenas “uma banana”.

Mas na maior parte do tempo, me sinto como uma banana madura, no ponto, gostosa, capaz de saciar diversos apetites e ainda incrementar um bom prato, para o almoço do dia.

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