Querido Pai,
Fiquei anos sem
dar continuidade à essas cartas, elas passavam pela minha cabeça e iam embora,
como o vento. Eu tinha vários motivos para isso, principalmente, nos
últimos cinco anos, o doutorado que, finalmente, consegui concluir.
Ele foi
dedicado a você, meu Pai. Eu sempre soube que você queria uma filha doutora. Acho que essa foi a força que me motivou a
continuar, pois a cada vez que eu questionava esse doutorado aos 58 anos de
idade, me vinha essa lembrança. E muitas vezes, em momentos de
incerteza, sentia sua presença me dando força e coragem.
Hoje estou aqui
na casa da mamãe; ela esteve doente, pensei que fosse morrer. Prometi a mim
mesma que quando ela precisasse de mim, nesse momento da vida, eu não estaria
ausente como estive com você.
Já vim pro aniversário dela em novembro,
quando completou 88 anos. E agora, dezembro, passar o Natal. Disse aos meus
irmãos que iria ficar até meados de janeiro, mas ela está bem, tem muita
vitalidade, acho que vai viver até os 95, pelo menos.
Ela estranha minha
presença constante e eu, começo a contar os dias. Até que, ontem, quando decidi
marcar minha passagem de volta, ficamos mais calmas e relaxadas. Vou ficar até dia
29, depois vou curtir o réveillon com minha filha e amigos.
Minha mãe ainda
pensa que estou abrindo mão da presença de meus filhos para estar com ela e
isso a incomoda. Ela esqueceu que seus netinhos de antes viraram adultos. Tem
só uma adolescente que está louca para viver suas experiências longe dos pais.
Cada Natal nessa casa me traz sua lembrança com muita força. Sinto sua falta. Falta de sua alegria, das piadinhas após o seu uisquinho sagrado de cada dia. Esse drink diário me incomodava e também a minha mãe. Mas hoje tudo isso é tão irrelevante!
O que sobrou foi seu amor, o nosso amor. Isso será eterno.
De quem te ama muito, sua filha.
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